Dica de livro: Crianças francesas não fazem birra


Vi pela primeira vez o livro “Crianças francesas não fazem birra – os segredos parisienses na arte de criar filhos”, escrito pela jornalista americana Pamela Druckerman no aeroporto há uns 4 anos atrás. Achei que seria mais um livro sem muito conteúdo, mas na falta de opção comprei o livro para ler no avião e foi uma surpresa agradável.

A autora americana conta sua experiência ao mudar para Paris, viver na cidade seu período de gestação e os primeiros anos de sua filha. Como muitas mães, Pamela  relata a dificuldade em educar sua filha, principalmente em relação ao SONO, ALIMENTAÇÃO E ESTABELECIMENTO DE LIMITES.

Enquanto li, tive a impressão de que o jeito brasileiro e português de educar está mais próximo do americano do que do francês. Porque segundo a autora, nos Estados Unidos, os pais acabam modificando suas vidas com a chegada do bebê, ao invés de fazer o bebê se adaptar à vida da família – como ocorre na França.

Uma das partes positivas do livro foram as mães francesas que Pamela conheceu e entrevistou que fazem questão de reservar um tempo para si, e de deixar bem claro para os filhos qual é o “tempo dos adultos”. A preocupação com a vida sexual e o bem estar do casal também é justificada com a preocupação com o bem estar das crianças, com uma explicação bem simples dada por uma das entrevistadas: “é bom para meus filhos que eu esteja bem”. Esse “bem estar” está relacionado aos corpos magros e as caras maquiadas das parisienses empurrando os carrinhos e brincando com seus filhos sempre impecáveis e de salto alto.

O livro narra várias machetes que estimulam as mulheres a manterem o peso ideal, a pele ideal, o atrativo ideal para o parceiro. Pamela vê isso com olhos muito positivos, comentando a diferença com as americanas e inglesas, que aumentam muito de peso na gravidez. A imagem de uma mulher que não se cuida, desarrumada, FORA DO PESO, com olheiras e nada atraente, após o nascimento dos filhos é sutilmente recompensada pela ideia da maternidade como sacrifício na América. Para essas mulheres que vestem essa ideia, as mães parisienses seriam vistas como “egoístas e excessivamente vaidosas”.

O que acho interessante é a ideia de se manter sexualmente atraente e ativa mesmo com filhos pequenos, sou muito vaidosa, confesso e quero ser assim quando tiver o meu primeiro filho, acho IMPORTANTE PARA O CASAL.

E fiz muitas comparações com a mentalidade portuguesa e brasileira, e a relação com a americana e a francesa.

Uma coisa que sempre me chamou a atenção nos parques infantis e jardins de Paris é como os pais franceses incentivam a autonomia de seus filhos. Enquanto nós, brasileiros, gritamos logo: VOCÊ VAI CAIR! Quando as crianças querem se aventurar sozinhas. Os pais franceses motivam e mostram apoio.

Enquanto os pais americanos e portugueses proíbem doces e outros açucares durante pelo menos o primeiro ano de vida de seus bebês, o franceses tratam todos os tipos de alimentos de forma natural e não tentam fingir que balas e chocolates não existem. Alimentação na França é algo sério, as crianças comem uma versão encurtada do menu dos adultos e são encorajadas a provar de tudo. Não existe criar um cardápio diferenciado para as crianças. Comida, na França, NÃO ENVOLVE JOGO EMOCIONAL.

Outro ponto interessante do livro diz respeito aos limites a serem impostos aos filhos. Segundo o livro, pais franceses não dão muito espaço para debates, enquanto entendem que o filho não tenha maturidade para discutir. É o famoso não, e pronto. Sendo fundamental fazer o filho esperar. Se tiver no telefone, então ao invés de desligar, tem que pedir ao filho que espere. Se quer algo fora de hora, tem que ser firme ao negar o que ele deseja, para que ele cresça sabendo o que pode e o que não pode fazer.

A leitura é válida seja para quem tem filhos ou não, começamos a refletir sobre o comportamento das crianças e o nosso, e é interessante ver com os sobrinhos, filhos de amigos, ou qualquer outra criança como o comportamento e educação mudam com pequenas decisões.

O livro vende na Fnac online.